About to complete 200 editions I will start to interview some artists and friends, sometimes in english, sometimes in portuguese - to start it, I invite the brazilian duo Lucy and the Popsonics who has just arrived from their second overseas tour.
Próximo de completar 200 programas. Vou começar uma série de entrevistas com artistas e amigos, as vezes em inglês, as vezes em português - para começar convidei o duo de Brasilia - Lucy and The Popsonics que acaba de voltar de uma segunda turnê pela gringa.
Próximo de completar 200 programas. Vou começar uma série de entrevistas com artistas e amigos, as vezes em inglês, as vezes em português - para começar convidei o duo de Brasilia - Lucy and The Popsonics que acaba de voltar de uma segunda turnê pela gringa.
Misturinha entrevista Fernanda (Lucy and The Popsonics)
Uma garota, um cara e um mp3 player (Lucy) - fofos, cheirosos, bem vestidos, um casal feliz que acaba de voltar de sua primeira turnê nos EUA (segunda a Europa) que inclui shows no megafestival South by Southwest no Texas.
Jenner: Hey hey popsonics ! Vibro muito com a aventura de vocês, deve ser muito divertido fazer 2 turnês com o namorado e a Lucy a tiracolo...
Fernanda: Foi divertido, cansativo, despesperador as vezes. As vezes viajamos todos os dias e isso era muito cansativo. A gente dormia pouco e mal. Quando tinhamos a oportunidade de dormir, dormiamos por mais de 17 ou 18 horas seguidas. Ficamos doentes milhares de vezes. Trocavamos todos os horários. Tinha época que só acordavamos a noite e passavamos a noite comendo e bebendo água para compensar. Muito Jet Leg. Muita mudança de horário. Muita história bizarra pra contar. Muita história sensacional para contar. Nunca tomavamos o remédio na hora certa. Viajamos de avião, de carro, trem, metro, onibus. Compramos roupas legais. Conhecemos cidades que nos surpreenderam como Portland e Detroit. Quase viramos vegetariamos na California. Tomei o antibiótico, que a Britney Spears toma para ficar doidona, para me curar de uma tosse no Texas e passei 3 dias de lombra na loucura do antibiótico. O SXSW foi sensacional. Fugimos em Chicago. Voltamos a falar Português em NY quando encontramos nossos amiguinhos brasilienses, tocamos em uma festa em que fomos pouco recebidos em Boston porque queriam Funk e negona, mas so tinhamos branquelos tocando eletropunk. Perderam nossas malas em Londres (não recebemos até hoje), tocamos para quase ninguém na Espanha, tocamos para um público que cantava todas as nossas músicas em Portugal em um festival lotado, me diverti em Paris e Nantes, curti o festival IDEAL, tocamos para um público francês sensacional, fiz um surfing-mosh e cai de 2 metros de altura, tendo que fazer um bis após isso. Fui atendida no camarim depois de tudo. Assim acabou a tour.
Jenner: Indo lá fora e tendo contato com cenas diferentes.. o que dá pra dizer sobre a cena brasileira ?
Fernanda: A cena é minúscula. Nos Estados Unidos e na Europa existe um mercado de médio porte. O Brasil está muito longe disso. As bandas, de todos os estilos, podem circular independente do hype de uma forma relativamente fácil. O público busca sempre comprar produtos das bandas que eles curtem. Tudo isso afasta o Brasil muito do mercado real. A única coisa que eu acho mais fácil no Brasil é o acesso a mídia. E acredito que isso aconteça exatamente por ser um mercado menor. No Brasil também a cultura é muito dependente de recursos públicos. Isso não existe nesses outros países, com exceção da França.
Jenner: O Lucy and the Popsonics ao contrário de muitas bandas novas brasileiras tem suas músicas em português como é que os gringos recebem isso ? (a excessão é Chanson Française em francês)
Fernanda: As pessoas normalmente acham que vc precisa cantar em inglês para entrar em outros mercados. Isso é pura mentira. Os gringos amam o Português. Eu vi algumas pessoas tentando cantar em Português algo que não entendia. Foi uma experiência interessante. Uma vez eu perguntei para uma menina porque ela tinha gostado mesmo sendo em Português. Ela me respondeu que o que é falado não interessa. O que interessa é o som. Inglês todo mundo canta e ninguém entende nada do mesmo jeito. Só que Português é mais bonito, mais charmoso.
Jenner: Pensam em compor em outras línguas agora que estão em vias de uma carreira internacional ?
Fernanda: Nós não temos uma verdadeira carreira internacional ainda. Participamos apenas de três festivais e uma tour em Portugal. Vamos continuar com um repertório de 90% em Português. Quase todas as nossas músicas nós temos frases ou palavras em outra língua. E vamos seguir assim mesmo. Isso é importante dizer, porque quando lançamos "Popdollkiller", muita gente falava que era visando o mercado internacional, mas esqueceu de ver que nessa música só existe uma palavra em inglês. Nós vamos continuar a ser o que a gente é foda-se!
Jenner: Já tem planos de gravar músicas novas ?
Fernanda: Temos sim. Queremos lançar um single em breve e já estamos com gás total para compor outras coisas.
Jenner: Voltam para a gringa no verão de lá ?
Fernanda: Recebemos muitos convites para voltar, muitos mesmo! Mas nenhum inclui passagens e custo zero ainda pra gente. Essa é a prova que não temos uma carreira internacional ainda. Se tivessemos, estariamos em uma tour sem fim para cumprir todos os convites que já recebemos. Recebemos muitos convites para festivais e todas as casas pelas quais passamos estão de portas abertas para nos receberem novamente no futuro. Só que nós ainda trabalhamos sozinhos. Sendo assim, estamos exaustos e não conseguiremos fazer mais que isso este ano. A não ser que nossa estrutura cresça e tenhamos pessoas que trabalhem para fazer isso pela gente.
Jenner: E a Lucy ? Já pediu bolsa Prada, lipo e novos "airbags" ?
Fernanda: Ela ficou louca na França, mas como ela não tem capacidade de comprar as coisas sozinhas. Nós compramos roupas e instrumentos novos e ela ficou sem nada! hehehehe. Pretendemos fazer um upgrade nela logo.
Jenner: Algumas comparações da imprensa/crítica são bossais e idiotas. Vamos Pops! Exercitem seus ódios e respondam com toda a sua raiva... aproveitem não sou jornalista ! hehehhe...
Fernanda: Cara, eu acho que com exceção de poucos que levam a profissão a sério, muitos nunca se profissionalizaram o suficiente para ter capacidade de estar no quarto poder. Perdi as contas há muito tempo de quantos me entrevistaram. As vezes eu sinto vergonha alheia. Muitos nem pesquisam ou sabem do que se trata. Em uma das resenhas do Mada tinha uma publicação que escreveu que faziamos rock japonês. No porão do rock 2006 saiu que nós tocavamos trash. Além da clássica que Brasília ficava na Caatinga em alguma dessas resenhas pós-planeta terra. Como todos sabem, Brasília fica no Cerrado. Jornalistas é algo que não me importo muito. Tenho pena de alguns. Respeito muito outros. Sou amiga de alguns outros. No fim das contas, alguns jornalistas podem até ajudar ou até atrapalhar. O que interessa mesmo é a música, o show, tocar. Grande parte do público não lê o que os jornalistas escrevem. No Brasil é assim: algumas pessoas fingem que escrevem e outras fingem que lê.
Jenner: Doeu ?
Fernanda: Não. Só a queda de dois metros que eu levei na França. ehehehe
Jenner: Eu fui bonzinho, adoro vcs !
Jenner: Hey hey popsonics ! Vibro muito com a aventura de vocês, deve ser muito divertido fazer 2 turnês com o namorado e a Lucy a tiracolo...
Fernanda: Foi divertido, cansativo, despesperador as vezes. As vezes viajamos todos os dias e isso era muito cansativo. A gente dormia pouco e mal. Quando tinhamos a oportunidade de dormir, dormiamos por mais de 17 ou 18 horas seguidas. Ficamos doentes milhares de vezes. Trocavamos todos os horários. Tinha época que só acordavamos a noite e passavamos a noite comendo e bebendo água para compensar. Muito Jet Leg. Muita mudança de horário. Muita história bizarra pra contar. Muita história sensacional para contar. Nunca tomavamos o remédio na hora certa. Viajamos de avião, de carro, trem, metro, onibus. Compramos roupas legais. Conhecemos cidades que nos surpreenderam como Portland e Detroit. Quase viramos vegetariamos na California. Tomei o antibiótico, que a Britney Spears toma para ficar doidona, para me curar de uma tosse no Texas e passei 3 dias de lombra na loucura do antibiótico. O SXSW foi sensacional. Fugimos em Chicago. Voltamos a falar Português em NY quando encontramos nossos amiguinhos brasilienses, tocamos em uma festa em que fomos pouco recebidos em Boston porque queriam Funk e negona, mas so tinhamos branquelos tocando eletropunk. Perderam nossas malas em Londres (não recebemos até hoje), tocamos para quase ninguém na Espanha, tocamos para um público que cantava todas as nossas músicas em Portugal em um festival lotado, me diverti em Paris e Nantes, curti o festival IDEAL, tocamos para um público francês sensacional, fiz um surfing-mosh e cai de 2 metros de altura, tendo que fazer um bis após isso. Fui atendida no camarim depois de tudo. Assim acabou a tour.
Jenner: Indo lá fora e tendo contato com cenas diferentes.. o que dá pra dizer sobre a cena brasileira ?
Fernanda: A cena é minúscula. Nos Estados Unidos e na Europa existe um mercado de médio porte. O Brasil está muito longe disso. As bandas, de todos os estilos, podem circular independente do hype de uma forma relativamente fácil. O público busca sempre comprar produtos das bandas que eles curtem. Tudo isso afasta o Brasil muito do mercado real. A única coisa que eu acho mais fácil no Brasil é o acesso a mídia. E acredito que isso aconteça exatamente por ser um mercado menor. No Brasil também a cultura é muito dependente de recursos públicos. Isso não existe nesses outros países, com exceção da França.
Jenner: O Lucy and the Popsonics ao contrário de muitas bandas novas brasileiras tem suas músicas em português como é que os gringos recebem isso ? (a excessão é Chanson Française em francês)
Fernanda: As pessoas normalmente acham que vc precisa cantar em inglês para entrar em outros mercados. Isso é pura mentira. Os gringos amam o Português. Eu vi algumas pessoas tentando cantar em Português algo que não entendia. Foi uma experiência interessante. Uma vez eu perguntei para uma menina porque ela tinha gostado mesmo sendo em Português. Ela me respondeu que o que é falado não interessa. O que interessa é o som. Inglês todo mundo canta e ninguém entende nada do mesmo jeito. Só que Português é mais bonito, mais charmoso.
Jenner: Pensam em compor em outras línguas agora que estão em vias de uma carreira internacional ?
Fernanda: Nós não temos uma verdadeira carreira internacional ainda. Participamos apenas de três festivais e uma tour em Portugal. Vamos continuar com um repertório de 90% em Português. Quase todas as nossas músicas nós temos frases ou palavras em outra língua. E vamos seguir assim mesmo. Isso é importante dizer, porque quando lançamos "Popdollkiller", muita gente falava que era visando o mercado internacional, mas esqueceu de ver que nessa música só existe uma palavra em inglês. Nós vamos continuar a ser o que a gente é foda-se!
Jenner: Já tem planos de gravar músicas novas ?
Fernanda: Temos sim. Queremos lançar um single em breve e já estamos com gás total para compor outras coisas.
Jenner: Voltam para a gringa no verão de lá ?
Fernanda: Recebemos muitos convites para voltar, muitos mesmo! Mas nenhum inclui passagens e custo zero ainda pra gente. Essa é a prova que não temos uma carreira internacional ainda. Se tivessemos, estariamos em uma tour sem fim para cumprir todos os convites que já recebemos. Recebemos muitos convites para festivais e todas as casas pelas quais passamos estão de portas abertas para nos receberem novamente no futuro. Só que nós ainda trabalhamos sozinhos. Sendo assim, estamos exaustos e não conseguiremos fazer mais que isso este ano. A não ser que nossa estrutura cresça e tenhamos pessoas que trabalhem para fazer isso pela gente.
Jenner: E a Lucy ? Já pediu bolsa Prada, lipo e novos "airbags" ?
Fernanda: Ela ficou louca na França, mas como ela não tem capacidade de comprar as coisas sozinhas. Nós compramos roupas e instrumentos novos e ela ficou sem nada! hehehehe. Pretendemos fazer um upgrade nela logo.
Jenner: Algumas comparações da imprensa/crítica são bossais e idiotas. Vamos Pops! Exercitem seus ódios e respondam com toda a sua raiva... aproveitem não sou jornalista ! hehehhe...
Fernanda: Cara, eu acho que com exceção de poucos que levam a profissão a sério, muitos nunca se profissionalizaram o suficiente para ter capacidade de estar no quarto poder. Perdi as contas há muito tempo de quantos me entrevistaram. As vezes eu sinto vergonha alheia. Muitos nem pesquisam ou sabem do que se trata. Em uma das resenhas do Mada tinha uma publicação que escreveu que faziamos rock japonês. No porão do rock 2006 saiu que nós tocavamos trash. Além da clássica que Brasília ficava na Caatinga em alguma dessas resenhas pós-planeta terra. Como todos sabem, Brasília fica no Cerrado. Jornalistas é algo que não me importo muito. Tenho pena de alguns. Respeito muito outros. Sou amiga de alguns outros. No fim das contas, alguns jornalistas podem até ajudar ou até atrapalhar. O que interessa mesmo é a música, o show, tocar. Grande parte do público não lê o que os jornalistas escrevem. No Brasil é assim: algumas pessoas fingem que escrevem e outras fingem que lê.
Jenner: Doeu ?
Fernanda: Não. Só a queda de dois metros que eu levei na França. ehehehe
Jenner: Eu fui bonzinho, adoro vcs !
Lucy and The Popsonics:
www.myspace.com/lucyandthepopsonics
www.lucyandthepopsonics.com
(agradecimento aos Popsonics e ao Toby do O Children por enviar seus mp3).
01. Subburbia - 9-10 Once Again*
02. Barbiekill - Subi na Vida*
03. Sweet Cherry Fury - Lilly Silly*
04. Saia Justa - Nobody Likes Us (remix)*
05. Roxanne - Ele Foi*
06. Stereologica - Garganta dos Infernos*
07. Mauk & Jenner - Sábado Negro*
08. O Children - Ace Breasts
09. These New Puritans - Colours
10. Hadouken - Crank It Up
11. The Klaxons - Magick
12. Titãs - Medo*
13. Bebida Violenta - Gymclass*
14. Mono4 - Kindo Friends (Cello Zero remix)
15. Nid and Sancy - Give it for MUSIC (SymbolOne Remix)
16. Database - Dull Boy*
17. The Kills - Cheap and Cheerful
18. Lucy and The Popsonics - Eu quero ser seu Tamagochi*
19. Lucy and The Popsonics - Pop Doll Killer*
* artistas brasileiros / brazilian artists
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