O Private Dancers surgiu em 2006 (NR: tive a sorte ou foi o macaco-do-azar (?) de fazer parte dos primeiros 6 meses da banda) desde o início mostravam um som elegante, cantando em inglês, naturalmente pops com guitarras bem trabalhadas, a banda logo chamou atenção da gravadora Midsummer Madness, que lançou em 2007 o primeiro EP da banda, “Music For Special Occasion”.
Ao vivo o Private Dancers surpreende pelo vigor das apresentações e a performance carismática de sua band leader - Tatiana Fake.
Jenner: O Private Dancers é uma das favoritas do Misturinha, vocês são um caso a parte da cena carioca porque misturam ótimas letras em inglês a canções e arranjos que não apelam a modismos.
Tatiana Fake: À parte da cena carioca de fato nós somos. Cantar em inglês por si só já é suficiente para nos isolar um pouco. Não tem muita gente compondo em inglês aqui no Rio, para a felicidade do pessoal do MV-Brasil, hehe... Fora isso fazemos um tipo de som que às vezes é um pouco difícil de classificar. Não temos muita preocupação de soar assim ou assado, nos permitimos muita coisa musicalmente. Se a gente achar que a música tem que ter um monte de guitarra, vai ter. Se tiver que ser eletrônica, vai ser. Se tiver que ter sanfona, vai ter. Acho que isso garante que o Private Dancers não seja associado de imediato com um estilo, corrente, movimento, seita, etc... Nós prezamos muito nossa liberdade artística, mas ser livre tem dessas coisas, às vezes pode ser um pouco solitário. Mas não estou reclamando, não. Estamos acostumadíssimos a dividir gigs com bandas que fazem um som bem diferente do nosso e é legal pra caramba. Eu pelo menos me divirto horrores. Tem gente que sente falta de uma cena mais forte, com mais personalidade e tal... mas acho que isso é uma coisa muito nossa. Cariocas são assim, não somos tão chegados a guetos. Se você for na Lapa sexta a noite tá lá um monte de gente com gostos e background diferentes convivendo razoavelmente bem. A cena alternativa do Rio é isso. Não tem a música da Calcanhoto que diz que carioca não gosta de sinal fechado? Acho que carioca não gosta de nada muito fechado. Essa coisa "emo x não sei o que" não costuma pegar tanto por aqui.
Jenner: O Private Dancers depois de algumas dezenas de shows no Rio está começando a tocar fora, vocês acabaram de tocar em Curitiba, como foi essa primeira experiência ?
Tatiana Fake: Curitiba foi extremamente receptiva e calorosa com a gente, foi uma experiência muito boa mesmo. As pessoas foram geniais, as bandas que conhecemos por lá também. O lugar onde tocamos tem uma infra superior a muitos dos lugares que a gente já tocou aqui no Rio. Isso é super importante para uma banda como a nossa: som bom. Rola muito descaso aqui no Rio. Não só querem que você toque de graça, mas querem que você toque em péssimas condições, aí é foda. Às vezes as pessoas comentam depois do show que ao vivo somos muito mais pesados e barulhentos, mas é que tem lugar que só sendo muito punk mesmo! E nós somos, sempre que a gente precisa, hehehe... mas em Curitiba realmente não precisou, foi tudo nota mil. Queremos muito voltar lá e queremos, claro, poder viajar mais.
Jenner: Quase todas as composições são suas e me parecem fortemente influenciadas por bandas inglesas
Tatiana Fake: Algumas são minhas sozinhas, outras são parcerias. E eu ouço muitas bandas inglesas mesmo. Não sei por que... Não sou anglófila nem nada, daquelas que adoram chuva, chá, Manchester United, hehehe... Agora eu tenho uma certa tendência a gostar de bandas e artistas que me fazem querer ser menos ignorante, o que não é exclusividade dos ingleses. Ninguém fez isso melhor que o Bob Dylan e ele é americano, mas enfim... David Bowie, The Cure, The Smiths foram decisivos para a minha formação não só musical, mas geral mesmo. Graças ao The Cure, por exemplo, fui tentar ler um livro do Camus aos 10 anos de idade. Tudo bem que eu não entendi muita coisa na época, mas valeu, heheh... Pulp, Suede e Manic Street Preachers são bandas fundamentais para mim também. Se eu for falar tudo o que eu aprendi com Brett Anderson, Jarvis Cocker, Richey James a entrevista vai ficar gigante.
Jenner: Well Well Girl não estava do EP da Midsummer Madness do ano passado
Tatiana Fake: Well Well Girl foi a primeira demo do Private Dancers. Foi gravada no seu estúdio numa noite memorável, que está entre os top moments da minha vida. É uma canção muito especial para a gente, mas teve uma história meio conturbada. Quando começamos a gravar o EP já sabíamos que o Marcelo Piccoli (o "anjo" na foto ao lado) não poderia ficar na banda, então tinha o problema de como poderíamos reproduzi-la ao vivo, já que é ele que divide os vocais comigo. Até hoje ainda não sabemos direito,hehehe... É uma música que raramente entra nos nossos sets. Além do mais não ficamos muito satisfeitos com a versão oficial que gravamos depois e isso colaborou para que ela não entrasse. Queremos regrava-la um dia. É a preferida de muita gente.
Jenner: Weekends é uma linda canção, fico aqui pensando quando ouço o Private Dancers se as pessoas se dão conta da poesia provocativa das suas letras "This song would be your wake up call"
Tatiana Fake: Pois é, acho que em geral ninguém presta muita atenção em letra. O cara tem que ser muito explícito para as pessoas prestarem realmente atenção. Para quem gosta de escrever letras isso pode encher um pouco o saco, sim. Mas é claro que eu sei muito bem que o que importa é a música ser boa. Você se lembra de alguma música horrível com uma letra sensacional? Eu não me lembro, ninguém guarda... O que eu posso dizer é que no nosso caso as letras são parte importante do processo criativo, pq eu não sou muito racional na hora de compor, é tudo bastante intuitivo. Então, se eu não estou com vontade de dizer nada para ninguém, nem que seja para mim mesma, há grandes chances da música não sair. Quando eu me deparo com alguma situação que daria uma boa letra tenho muito mais vontade de compor. Claro que eu adoraria ser que nem uma Björk, entender a matemática da coisa, fazer música pela música. Esse é o ultimate freedom, mas eu ainda estou bem longe disso. Dependo das minhas paixões, obsessões e toda a sorte de demônios pessoais para funcionar, hehehe... O dia em que eu começar a fazer música lendo bula de remédio ou lista telefônica pode ter certeza que é porque finalmente todos os meus problemas acabaram! Me liga, eu devo até ter dinheiro pra te emprestar! ;)
Sobre o Private Dancers:
http://www.myspace.com/privatedancersrio
http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=62270
http://mmrecords.com.br/200706/private-dancers/
http://www.last.fm/music/Private+Dancers
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=13368044
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=8520462458524231107
http://br.youtube.com/view_play_list?p=F860C3E7882E189F
Ao vivo o Private Dancers surpreende pelo vigor das apresentações e a performance carismática de sua band leader - Tatiana Fake.
Jenner: O Private Dancers é uma das favoritas do Misturinha, vocês são um caso a parte da cena carioca porque misturam ótimas letras em inglês a canções e arranjos que não apelam a modismos.
Tatiana Fake: À parte da cena carioca de fato nós somos. Cantar em inglês por si só já é suficiente para nos isolar um pouco. Não tem muita gente compondo em inglês aqui no Rio, para a felicidade do pessoal do MV-Brasil, hehe... Fora isso fazemos um tipo de som que às vezes é um pouco difícil de classificar. Não temos muita preocupação de soar assim ou assado, nos permitimos muita coisa musicalmente. Se a gente achar que a música tem que ter um monte de guitarra, vai ter. Se tiver que ser eletrônica, vai ser. Se tiver que ter sanfona, vai ter. Acho que isso garante que o Private Dancers não seja associado de imediato com um estilo, corrente, movimento, seita, etc... Nós prezamos muito nossa liberdade artística, mas ser livre tem dessas coisas, às vezes pode ser um pouco solitário. Mas não estou reclamando, não. Estamos acostumadíssimos a dividir gigs com bandas que fazem um som bem diferente do nosso e é legal pra caramba. Eu pelo menos me divirto horrores. Tem gente que sente falta de uma cena mais forte, com mais personalidade e tal... mas acho que isso é uma coisa muito nossa. Cariocas são assim, não somos tão chegados a guetos. Se você for na Lapa sexta a noite tá lá um monte de gente com gostos e background diferentes convivendo razoavelmente bem. A cena alternativa do Rio é isso. Não tem a música da Calcanhoto que diz que carioca não gosta de sinal fechado? Acho que carioca não gosta de nada muito fechado. Essa coisa "emo x não sei o que" não costuma pegar tanto por aqui.
Jenner: O Private Dancers depois de algumas dezenas de shows no Rio está começando a tocar fora, vocês acabaram de tocar em Curitiba, como foi essa primeira experiência ?
Tatiana Fake: Curitiba foi extremamente receptiva e calorosa com a gente, foi uma experiência muito boa mesmo. As pessoas foram geniais, as bandas que conhecemos por lá também. O lugar onde tocamos tem uma infra superior a muitos dos lugares que a gente já tocou aqui no Rio. Isso é super importante para uma banda como a nossa: som bom. Rola muito descaso aqui no Rio. Não só querem que você toque de graça, mas querem que você toque em péssimas condições, aí é foda. Às vezes as pessoas comentam depois do show que ao vivo somos muito mais pesados e barulhentos, mas é que tem lugar que só sendo muito punk mesmo! E nós somos, sempre que a gente precisa, hehehe... mas em Curitiba realmente não precisou, foi tudo nota mil. Queremos muito voltar lá e queremos, claro, poder viajar mais.
Jenner: Quase todas as composições são suas e me parecem fortemente influenciadas por bandas inglesas
Tatiana Fake: Algumas são minhas sozinhas, outras são parcerias. E eu ouço muitas bandas inglesas mesmo. Não sei por que... Não sou anglófila nem nada, daquelas que adoram chuva, chá, Manchester United, hehehe... Agora eu tenho uma certa tendência a gostar de bandas e artistas que me fazem querer ser menos ignorante, o que não é exclusividade dos ingleses. Ninguém fez isso melhor que o Bob Dylan e ele é americano, mas enfim... David Bowie, The Cure, The Smiths foram decisivos para a minha formação não só musical, mas geral mesmo. Graças ao The Cure, por exemplo, fui tentar ler um livro do Camus aos 10 anos de idade. Tudo bem que eu não entendi muita coisa na época, mas valeu, heheh... Pulp, Suede e Manic Street Preachers são bandas fundamentais para mim também. Se eu for falar tudo o que eu aprendi com Brett Anderson, Jarvis Cocker, Richey James a entrevista vai ficar gigante.
Jenner: Well Well Girl não estava do EP da Midsummer Madness do ano passado
Tatiana Fake: Well Well Girl foi a primeira demo do Private Dancers. Foi gravada no seu estúdio numa noite memorável, que está entre os top moments da minha vida. É uma canção muito especial para a gente, mas teve uma história meio conturbada. Quando começamos a gravar o EP já sabíamos que o Marcelo Piccoli (o "anjo" na foto ao lado) não poderia ficar na banda, então tinha o problema de como poderíamos reproduzi-la ao vivo, já que é ele que divide os vocais comigo. Até hoje ainda não sabemos direito,hehehe... É uma música que raramente entra nos nossos sets. Além do mais não ficamos muito satisfeitos com a versão oficial que gravamos depois e isso colaborou para que ela não entrasse. Queremos regrava-la um dia. É a preferida de muita gente.
Jenner: Weekends é uma linda canção, fico aqui pensando quando ouço o Private Dancers se as pessoas se dão conta da poesia provocativa das suas letras "This song would be your wake up call"
Tatiana Fake: Pois é, acho que em geral ninguém presta muita atenção em letra. O cara tem que ser muito explícito para as pessoas prestarem realmente atenção. Para quem gosta de escrever letras isso pode encher um pouco o saco, sim. Mas é claro que eu sei muito bem que o que importa é a música ser boa. Você se lembra de alguma música horrível com uma letra sensacional? Eu não me lembro, ninguém guarda... O que eu posso dizer é que no nosso caso as letras são parte importante do processo criativo, pq eu não sou muito racional na hora de compor, é tudo bastante intuitivo. Então, se eu não estou com vontade de dizer nada para ninguém, nem que seja para mim mesma, há grandes chances da música não sair. Quando eu me deparo com alguma situação que daria uma boa letra tenho muito mais vontade de compor. Claro que eu adoraria ser que nem uma Björk, entender a matemática da coisa, fazer música pela música. Esse é o ultimate freedom, mas eu ainda estou bem longe disso. Dependo das minhas paixões, obsessões e toda a sorte de demônios pessoais para funcionar, hehehe... O dia em que eu começar a fazer música lendo bula de remédio ou lista telefônica pode ter certeza que é porque finalmente todos os meus problemas acabaram! Me liga, eu devo até ter dinheiro pra te emprestar! ;)
Sobre o Private Dancers:
http://www.myspace.com/privatedancersrio
http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=62270
http://mmrecords.com.br/200706/private-dancers/
http://www.last.fm/music/Private+Dancers
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=13368044
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=8520462458524231107
http://br.youtube.com/view_play_list?p=F860C3E7882E189F
01. Private Dancers - Weekends (Lançamento!) *
02. Private Dancers - Well Well Girl (Produzida por Jenner - Abril 2006) *
03. Private Dancers - Onnagata Otosan *
04. Nha Trang - G *
05. The Teenagers - Homecoming
06. CSS - Rat is Dead *
07. Autolux - Subzero Fun
08. Sonic Youth - Shadow of A Doubt
09. Second Come - Gas Head *
10. Dash - Tetsuo *
11. Naht - Wave of Mutilation
12. Alpinestars - Carbon Kid
13. Chapterhouse - Pearl
14. Spacemen 3 - Big City (Waves of Joy Demo)
15. Jesus and The Mary Chain - Just Like Honey
16. The Cure - Just Say Yes
* artistas brasileiros / brazilian artists02. Private Dancers - Well Well Girl (Produzida por Jenner - Abril 2006) *
03. Private Dancers - Onnagata Otosan *
04. Nha Trang - G *
05. The Teenagers - Homecoming
06. CSS - Rat is Dead *
07. Autolux - Subzero Fun
08. Sonic Youth - Shadow of A Doubt
09. Second Come - Gas Head *
10. Dash - Tetsuo *
11. Naht - Wave of Mutilation
12. Alpinestars - Carbon Kid
13. Chapterhouse - Pearl
14. Spacemen 3 - Big City (Waves of Joy Demo)
15. Jesus and The Mary Chain - Just Like Honey
16. The Cure - Just Say Yes
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